
Em uma viela qualquer se encontrava uma pequena menina, estava sentada, com a cabeça recostada em uma parede perto de seu corpo, os olhos fechados, parecia dormir, mas só parecia, quando mais perto, deixou transparecer em seu rosto um pouco do rímel borrado. Ela chorava, soluçava desenfreadamente, perdera o rumo, queria sorrir, necessitava. Porém estava magoada demais para isso, sentia-se só, como se nada estivesse dando certo, nada dava certo. Doía saber que quem ela mais queria não se importava, que ela não fazia a mínima diferença. Enquanto pra ela apenas um simples sorriso dele mudara seu dia. Infelizmente a vida não era justa a todos os meros mortais, alguns tinham a felicidade transbordando em seus olhos, enquanto outros procuravam tanto pela mesma que acabavam ficando cegos diante de cada situação inesquecível. Tinha inveja daqueles que conseguiam sorrir suavemente, daqueles que haviam histórias para contar, momentos felizes para lembrar. Cansou-se de acreditar nas antigas comédias de amor, onde no final tudo dava certo, o cara ideal encontrava a mocinha e tinham um final feliz. Mas se era para ser feliz, porque havia um final? Continuava sem rumo, sem ter por onde seguir. Continuava chorando desesperadamente… Quando ao menos esperar, levantou-se, limpou suas próprias lágrimas, sabia que se esperasse por alguém morreria sem nenhum pingo de água em seu corpo, então se arrumou, tirou o rímel borrado, que já chegara nas bochechas, pegou a bicicleta mais próxima e resolveu ser feliz. Ser feliz por ela mesma, e não esperar pela felicidade! — Raphaella, meras palavras
